Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Graforreia Intermitente

Opinadelas, Politiquices, Ordinarices, Música, Cinema, Lirismo, Contos e muito mais!

Graforreia Intermitente

Opinadelas, Politiquices, Ordinarices, Música, Cinema, Lirismo, Contos e muito mais!

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Politiquices: “Onde o Estado falha”

Todos sabemos que o conceito idílico de Democracia implica a participação ativa de todos os cidadãos na Política. Política, neste caso, enquanto parte essencial da vida em sociedade, e não enquanto carreira profissional.

Contudo, alguns (e eu incluo-me neste alguns) acreditam que não vivemos numa Democracia, mas antes numa Partidocracia. E os Partidos apenas procuram a participação dos eleitores ou contribuintes – daí não utilizar aqui o termo “cidadãos”, porque nem todos os que são cidadãos interessam aos Partidos. Os mais importantes são os que votam e os pagam impostos.

São diversas as formas que se idealizam para que exista esta participação dos cidadãos na Política, sendo que algumas visariam o controlo e fiscalização do próprio Estado. Entenda-se por Estado, os órgãos legislativos e executivos que “supostamente” elegemos. E, por carolice ou passividade, lá vamos deixando o Estado (Partidos) fiscalizar o Estado (Partidos), que é como quem diz: “Deixar a raposa a guardar as galinhas” ou como quem pergunta: “Quis custodiet ipsos custodes?”.

Decorrente destes novos tempos de world wide web e redes sociais, parece que a voz dos cidadãos (e de alguns parvos, também) começa a fazer-se ouvir com mais força. E, hoje em dia, um grito de revolta numa publicação de Facebook, por exemplo, pode ter um grande alcance e levar “alguém” a agir. Ou ainda não deram conta de que os assuntos que geram grande indignação nas redes sociais acabam por ser finalmente repetidos pela Comunicação Social e ouvidos pelos visados da contestação, sejam eles empresas ou governantes, levando-os a agir rapidamente? Seja um assunto de interesse relevante ou algo tão supérfluo que nem percebemos de onde surge tal indignação.

Pois bem, parece que há quem já tenha percebido que os cidadãos querem ser ouvidos. Querem indignar-se e contestar. Querem fiscalizar e denunciar. Querem mais transparência.

Uma parte do jornalismo português já acordou e voltou aos verdadeiros trabalhos de investigação, à sua função de informador e denunciador. Descobrem “máfias” e casos de corrupção.

Ora, talvez nesta onda, o Observador criou uma nova ferramenta: “Onde o Estado falha”. Um formulário através do qual as pessoas podem apresentar informações e denúncias – como por exemplo, situações de escolas com condições deploráveis para os alunos ou hospitais cujos serviços estão de tal modo caóticos que não têm profissionais ou camas disponíveis – que serão selecionadas e investigadas pelos seus jornalistas.

Para já, vale pelo que vale. Porque para crescer precisa de ser alimentado. Depende da participação das pessoas. Depende da força que ganhe e do impacto que consiga. Estou curioso para ver o que surgirá desse trabalho, sendo certo que talvez venhamos a ver expostas realidade que desconhecíamos e que nos poderão chocar… ou não!

 

raposas

 

 

Relembro que este blog já está presente no Facebook: Graforreia Intermitente.

Politiquices: Banhos de Ética, por favor!

Temos mais uma polémica com políticos que gera dúvidas sobre ética na Política. Sejam bilhetes para jogos de futebol ou sejam subsídios de viagens, estes casos que vão surgindo – e acredito não serem os únicos, e nem sequer a maior percentagem face aos que ainda desconhecemos – só reforçam a minha opinião de que Partidos e carreiras políticas não são os melhores “instrumentos” para a construção de uma verdadeira Democracia.

Vou tentar não me pronunciar diretamente ou concretamente sobre o caso dos subsídios de deslocação recebidos pelos deputados residentes nas regiões autónomas (quem quiser pode ler as respostas a algumas perguntas sobre este assunto aqui), mas este caso colocou de novo em debate – ou pelo menos deveria ter colocado – a questão da Moral no desempenho de funções públicas e políticas.

O Presidente da Assembleia da República já se pronunciou afirmando que não há aqui nenhuma infração de legalidade nem de ética.

Quero ressalvar que, nestes casos, eu prefiro falar em Moral – enquanto referência às regras de conduta aplicáveis ao indivíduo e definidas essencialmente pela sua vertente de animal social – do que em Ética – que, segundo me ensinaram, é o estudo sobre a Moral (além do uso em expressões catitas como “ética deontológica”).

Quanto à legalidade, poucas dúvidas me restam, a lei prevê este tipo de subsídios e abonos e permite que os deputados beneficiem dos mesmos – no caso dos deputados insulares o subsídio fixo de cerca de 500€ semanais não depende sequer da realização efetiva da viagem, mas apenas de não faltarem aos trabalhos da Assembleia da República. É ilegal? Não.

Mas importa relembrar quem aprova este tipo de leis… repito aquele mote que utilizo em muitos textos aqui no blog: “Quis custodiet ipsos custodes?” (“Quem guarda os guardas?”).

Quanto à Moral (ou Ética), já não posso concordar com Ferro Rodrigues. Talvez porque a minha visão de Ética e de Moral se desenvolveu/aprofundou no momento em que tive de estudar a Fundamentação da Metafisica dos Costumes do filósofo Immanuel Kant e adotei, de certo modo, as suas definições.

No fundo, acredito que o valor de uma determinada ação depende da sua real intenção. E essa real intenção tem de ser o cumprimento do dever pelo próprio dever e não o cumprimento do dever com base nas consequências ou benefícios.

De um modo muito simples, se eu ajudar alguém que caiu, a minha ação tem valor moral se eu ajudei essa pessoa porque era a atitude humana a ter – ajudei porque devia ajudar (ponto). Contudo, perderá o seu valor moral se eu ajudar aquela pessoa porque espero que ela me recompense ou, até mesmo, só porque as outras pessoas iam ver que eu não ajudei e provavelmente julgar-me.

Voltando ao caso concreto (afinal não o consigo evitar), os subsídios em causa destinam-se a custear despesas que os deputados tenham por não serem residentes em Lisboa, cidade onde se concentra a sua atividade.

Mas até que ponto é Ético (ou moral) receber um subsídio sem que se tenha essa despesa? No meu entender, não é. E não encontrei nenhum argumento que me fizesse acreditar que receber um subsídio de viagem sem que a viagem seja realizada tem sequer uma pontinha de ético ou moral. Para mim, este caso está ao nível de receber uma pensão de invalidez sem ter qualquer invalidez ou receber subsídio de desemprego estando empregado.

Meus senhores, só porque a lei permite que vos sejam atribuídos esses subsídios, não quer dizer que vocês sejam obrigados a aceitá-los quando não se justificam. Nem dizer que já acontece há muitos anos é justificação que se apresente.

Os deputados que receberam (na minha opinião) indevidamente esses subsídios, deverão não só devolver esses valores, mas também renunciar ao cargo de deputados. Quanto mais não seja porque a Assembleia da República é a casa da Democracia. E aqui (talvez só aqui) concordo com a afirmação (e só com a afirmação) de Rui Rio de que a “política precisa de um banho de ética”. Que os banhos comecem!

Limões.jpg

 

Relembro que este blog já está presente no Facebook: Graforreia Intermitente.

Opinadela: Opiniões, há muitas!

Será ironia uma Opinadela deste blogue ter como título: “Opiniões, há muitas!”? Ou talvez, chegando ao fim deste texto, a melhor classificação seja hipocrisia. Ou não. Mas a verdade é essa: Opiniões, há muitas!

Como seres racionais e em relação com o mundo e com os outros, todos temos as nossas opiniões. E a sabedoria popular avisa-nos: As opiniões são como os “traseiros”, cada um tem o seu. (Gostaram da tentativa de não escrever “cú”?). Ou então aquela máxima que nos diz que: “Devemos respeitar as opiniões dos outros”. Não se trata de aceitar ou abraçar a opinião dos outros, mas sim apenas de respeitar a sua opinião.

Discutir opiniões não é nada de novo. Ou achavam que a expressão “opinião de café” surgiu do nada? Há uns anos, os cafés eram o sítio onde expressávamos as nossas opiniões com amigos, ou até mesmo desconhecidos. E todos nós erámos “opinadores de café”, mesmo não estando num café. Dávamos a nossa opinião, discutíamo-la e, às vezes (muitas mais que poucas), geravam-se zangas e escaramuças. Já todos sabemos que não somos perfeitos.

Entretanto, a “opinião de café” deu origem à “opinião de internet”, inicialmente acessível a alguns, mas hoje, com as redes sociais e a tecnologia, ao alcance de todos (ou quase todos). Olhem só para mim aqui a opinar!

 E, contentes, pensávamos que esta ampliação da opinião – que agora perdura no tempo (porque na internet parece que tudo fica para sempre) e que tem um alcance muito além do “café” ou do nosso círculo de conhecidos – seria um sinal de agradável evolução, eis que a humanidade nos surpreende com o que já não nos devia surpreender: a nossa vertente “opinadora” tornou-se mais agressiva, mais impositiva.

Já não nos limitamos a dar opinião, queremos impor a nossa opinião. Já não o fazemos naquela nossa zona de conforto e de proximidade, agora opinamos para todo o mundo ver e ouvir.

Mas o pior é que, agora, ficamos muito facilmente ofendidos pela opinião dos outros. Umas vezes simplesmente por ser diferente da nossa. Outras vezes ficamos ofendidos (com razão) porque são opiniões estúpidas. Eu bem vos avisei no início que este texto podia ser hipócrita, mas esta é a verdade: por muito que tentemos respeitar as opiniões dos outros, algumas opiniões são demasiado provocatórias ou estúpidas. Porque são desinformadas, porque são agressivas, porque são divulgadas em lugares ou momentos inoportunos.

E a necessidade de ter uma opinião e a berrar ao mundo parece crescer a cada dia que passa.

Devemos, então, limitar as opiniões? Não, óbvio que não. Mas podemos construir verdadeiras opiniões informadas e apresentá-las de maneira a serem claras, compreensíveis e o menos ofensivas possível (se calhar escrever inofensivas seria ir longe demais) para os outros.

Ou então não. Continuamos da distribuir opiniões como quem distribui cachaços no recreio da escola. Sem qualquer racionalidade e com o único intuito de provocar o outro. Porque opiniões, há muitas! E a minha vale o que vale.

Para terminar, fiquem lá com umas frases bonitas sobre a Opinião:

 

«Os homens são movidos e perturbados não pelas coisas, mas pelas opiniões que eles têm delas.» - Epicteto

 

«O facto de uma opinião ser amplamente compartilhada não é nenhuma evidência de que não seja completamente absurda; de facto, tendo-se em vista a maioria da humanidade, é mais provável que uma opinião difundida seja tola do que sensata.» - Bertrand Russell

 

«Deve valorizar-se a opinião dos estúpidos: são a maioria.» - Tolstoi

 

«Mais fácil é unir distâncias, que casar opiniões e entendimentos.» - Pe. António Vieira

 

«Exteriorizar impressões é mais persuadirmo-nos de que as temos do que termo-las.» - Fernando Pessoa

 

«Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia.» - Fernando Pessoa

 

«Uma opinião que se tem passa pela pessoa que somos e não pelas razões para a ter. É por isso que todos têm opinião e poucos informação para isso. Mas é por isso também que a mesma informação pode dar opiniões contrárias. Porque tudo se pode trocar, menos a pessoa que se é.» - Vergílio Ferreira

 

 

Relembro que este blog já está presente no Facebook: Graforreia Intermitente.

Pág. 1/2

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D